terça-feira, 28 de outubro de 2008

Quando for crescido quero ser como Rita

Eu sei que talvez esteja fugindo dos temas abordados por aqui, mas também é bom variar um pouco pra coisa não ficar chata né gente?

Recebi esse email do Projeto Deusas, encaminhado pela Lucia Freitas e achei fantástico, também, vindo do José Saramago, só podia ser coisa boa. Gostaria então de compartilhar com vocês.


Quando for crescido quero ser como Rita

Esta Rita a quem quero parecer-me quando for crescido é Rita Levi-Montalcini, ganhadora do Prémio Nobel de Medicina em 1984 pelas suas investigações sobre o desenvolvimento das células neurológicas. Ora, Prémio Nobel é coisa que já tenho, logo não seria por ambição dessa grande ou pequena glória, as opiniões dos entendidos divergem, que estou disposto a deixar de ser quem tenho sido para tornar-me em Rita. De mais a mais estando eu numa idade em que qualquer mudança, mesmo quando prometedora, sempre se nos afigura um sacrifício das rotinas em que, mais ou menos, acabámos por nos acomodar.
E por que quero eu parecer-me a Rita? É simples. No acto do seu investimento como Doutora “Honoris Causa” na aula magna da Universidade Complutense, de Madrid, esta mulher, que em Abril completará cem anos, fez umas quantas declarações (pena que não tenhamos conseguido a transcrição completa do seu improvisado discurso) que me deixaram ora assombrado, ora agradecido, posto que não é fácil imaginar juntos e unidos estes dois sentimentos extremos. Disse ela: “Nunca pensei em mim mesma. Viver ou morrer é a mesma coisa. Porque, naturalmente, a vida não está neste pequeno corpo. O importante é a maneira como vivemos e a mensagem que deixamos. Isso é o que nos sobrevive. Isso é a imortalidade”. E disse mais: “É ridícula a obsessão do envelhecimento. O meu cérebro é melhor agora do que foi quando eu era jovem. É verdade que vejo mal e oiço pior, mas a minha cabeça sempre funcionou bem. O fundamental é manter activo o cérebro, tentar ajudar os outros e conservar a curiosidade pelo mundo”. E estas palavras que me fizeram sentir que havia encontrado uma alma gémea: “ Sou contra a reforma ou outro qualquer outro tipo de subsídio. Vivo sem isso. Em 2001 não cobrava nada e tive problemas económicos até que o presidente Ciampi me nomeou senadora vitalícia”.
Nem toda a gente estará de acordo com este radicalismo. Mas aposto que muitos dos que me lêem vão também querer ser como Rita quando crescerem. Que assim seja. Se o fizerem tenhamos a certeza de que o mundo mudará logo para melhor. Não é isso o que andamos a dizer que queremos? Rita é o caminho.


8 comentários:

Juliana 28 de outubro de 2008 12:06  

Ja te linkei lá tbm, viu? Brigadinha pela visita e volte sempre!

Claudia Pimenta 28 de outubro de 2008 13:10  

oi ana! eu tive o privilégio de assistir uma aula da rita, nos tempos do mestrado da ufrj! ela é uma mulher sensacional e digna de ser tomada como modelo! de uma inteligência impressionante, seduz pela delicadeza... por isso, eu tb quero ser como rita! bjs, querida! parabéns pela homenagem a esta incrível mulher, que é uma prendada, com certeza!

Luana 28 de outubro de 2008 14:09  

Uau!!! Fiquei sem palavras!!!
Uma mulher a ser respeitada pela sua sabedoria.
Bjinhos Ana

Chris 28 de outubro de 2008 15:18  

Ai que lindo Ana! Realmente temos que escutar os mais velhos e ser como a Rita qdo crescer! Isso e lindo, isso e divino!!!

Bjusss

margaret 28 de outubro de 2008 19:08  

Eu tambem quero ser como Rita...velhinha charmosa ela heim?
(e inteligente).

bonecadepano 28 de outubro de 2008 20:53  

Faço minhas as palavras de todas as que já deixaram coments!

Ela é fantástica, e a sabedoria é para se guardar de forma bem escancarada!!!

Palmas para Rita!

Palmas para Saramago, pois reconheceu, munido de sua simplicidade - afinal só os simples reconhecem as benécies de outras pessoas - fez um artigo tão lindo!

Palmas para Aninha, por dividir conosco essa pérola!

Beijos mill!!!

vida cotidiana 28 de outubro de 2008 21:24  

Já li sobre essa brava mulher, é uma experiência de vida que vale a pena seguir, com certeza eu quero ser como ela, quem derá.bjs

Chris - da Chria 29 de outubro de 2008 21:59  

Oi Ana,

realmente ela é uma referência,
exemplo daqueles bom de lembrar todo dia...
ela é inspiração,
motivação,
reflexão.
Acho muito legal estes posts que aparecem para quebrar a sequência do previsível - concordo com você:
porquê não mudar um pouquinho...
O post é lindo!
bjo grande
Chris

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